sábado, 13 de abril de 2013

Linguagem asfixiante.

Linguagem asfixiante.

Buscou nas palavras
Começou pelas letras rústicas
Voltou no abecedário
Tentou com as vogais
Fez alguns sons
Procurou nos desenhos
Desenhou 7 vezes
Rabiscou logo em seguida
Pegou tintas de todas as cores
Combinou todas as cores possíveis
Procurou nos outros idiomas
E depois de todas essas tentativas
descobriu que o que sentia não podia ser linguajado.
E mesmo no não dito, no incontemplável
Conseguiu parar de se angustiar com a linguagem.
Se entrelaçou nos movimentos do corpo
dos orgãos, da respiração, das bolhas marcadas
E começou a ter vários momentos de paz.

Bárbara Cristina

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Platão.

Platão pediu para que João vivesse dos futuros.
Mas futuros tava longe e João era impaciente.
Platão prometeu terras prometidas.
Mas desejos não esperam terras prometidas.
Platão contou de um lugar ideal.
Mas o idealismo de João tinha pressa.
Platão continuou falando.
E João permaneceu vivendo.

Bárbara Cristina

Platão.

Como viver você sem falar de você?
Platonismo realizado.
Necessidade de grito ou vontade de suspiros?
Repita comigo.

Bárbara Cristina
Repetição des(amorosa).

Somos tão repetitivos. Chatos repetitivos. Insistentes repetitivos.Repetimos e ás vezes não sabemos.Repetimos e ás vezes sabemos. Sabemos e continuamos repetindo, mesmo achando, com toda a certeza que dessa vez não, inocências repetitivas. Tem gente que repete para ser desamado. Desamor é a repetição mais cruel dessa singularidade. Sim, conseguir a qualquer preço uma prova de desamor. De desapaixonamento.E aí quando repetido, um alívio, afinal, essa história dolorosa já é de capítulos anteriores, mesmo numa roupagem nova. Insistir para o outro que esse outro não te ama. Insistencia covarde. Uma tentativa, duas tentativas, (n) tentativas.Enquanto há tentativa há porque permanecer.Enquanto não se tira do outro as palavras de não apaixonamento, não há paz. Autosabotagens, boicote. Verbo confessar. Sem confessionário. Há porque se partir. Afinal, o fracasso era o amor.E o desamor, já é bem conhecido. E agora, explicitado.Confessado. Há porque se partir com o desamor confessado.

Bárbara Cristina

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


No fundo, é tudo amor próprio 

No fundo é tudo amor próprio. Desde o cara que termina o relacionamento com muito amor interrompido por ter visto seu amado/a aos beijos com outra pessoa sem seu consentimento, até a mulher que aceita todas aquelas traições muito mal explicadas, por todo aquele amor acumulado. Relacionamentos monogâmicos, promessas de até que a morte nos separe e possessividade comandando. Relacionamentos poligâmicos, promessas de que seja eterno enquanto dure e liberdade amorosa. Relacionamentos amorosos entre homens, entre mulher e homem, entre mulheres, entre mulheres e homem, entre homens e mulher, entre, entre.É tudo amor próprio.O outro é um mero coadjuvante na história. Sofrer pela ausência do outro não tem nada a ver com o outro, ou quase nada. Tem a ver com o descompasso que essa ausência causa psiquicamente, num se sabe nem bem por quem se sofre, por que no fundo, a gente sofre é por a gente mesma. O outro só tá ali, pra relação comigo e comigo mesma ser um pouco mais divertida, criativa e eu não to falando de hedonismo, relações instantâneas e passatempos emocionais. Eu tô falando do Sim que se dá no Altar ou na praça, ou no clube, ou na balada ou em qualquer lugar que a gente fala para a solidão ser menos escancarada, e a completude pseudo-encontrada. 

Bárbara Cristina

domingo, 8 de janeiro de 2012

Idolatrando a duvida


Tenho idolatrado a dúvida. E como, o que me inspira é a certeza do amor, tenho me questionado.

As pesquisas científicas tem mostrado que 90% do casais ja trairam, então por que insistir na monogamia?

O que é traição? Trair o outro, ou trair o seu próprio desejo?

Se a solidão é tão criticada, repugnada, por que a maioria das pessoas tão solteiras ou se separando?

Porque a fantasia de estar com alguem ainda tem sido tão mais gostosa do que a realidade de estar com o mesmo alguém?

Por que obedecer ao desejo tem sido confundido com rotatividade e competitividade sexual?

Por que os filmes hollywoodianos insistem em convencer que amor verdadeiro é so aquele eterno?

Por que a Igreja insiste naquele papo de Uma só carne, se quando se termina ninguem precisa morrer?

Não sei se quero respostas.

Bárbara Cristina

domingo, 11 de dezembro de 2011

Edíficio Emocional


Sem pressa. Esse Edifício emocional está sendo bem construído, depois de tantas demolições. Houve alguns planejamentos de estrutura, algumas linhas, pontilhados e todas essas coisas, que se é bom ter para construir algo. Demorou, foi-se tentado construir a força e ele num durava nem um mês, nem dois meses, logo já caia, se derrubava, se rompia, em terra, vela e algumas poesias. Algumas vezes, tinha até potencial, dava a impressão que ia ser um Edifício sólido, rígido até, mas faltava andar, faltava lugar, faltava portas pra se entrar e sair quando queria. Faltava janelas pra olhar lá fora, e lembrar que tem lá fora. Faltava, apenas faltava. Depois, faltou luzes, brilho, a casa não tinha luz, não tinha, apenas nao tinha. E na re-construção mais forçada, faltou móveis, sim, esses sentimentos que são móveis, se movem e locomovem com uma intensidade de num sei o quê, e eles, esses sim, faltavam. E sem "móveis," não dá. Móveis que não se compram, que não se pagam, que não se pede. E depois disso, de tantas faltas, demoliu-se. Foi uma tombada só, com uma duração mais que lenta, mais que dolorida, cheia de prazeres. E agora, não falta? Falta, falta muito, mas sabe aqueles planejamentos, linhas e pontilhados? Tomaram autonomia, se auto-fizeram com o tempo e deixaram bem claro: o seu tempo não é o meu. E a falta, que que virou dela? Ta aí, presente, movendo desejos.Construindo Edifícios e se auto-resolvendo.

Bárbara Cristina

O amor é uma loucura cheia de razões Carpinjear.