sábado, 13 de abril de 2013

O Assalto

O assalto.

Esses assaltos cotidianos.
Bala perdida não faz sentido.
Morte súbita do amado não faz sentido.
Desamor instatâneo não faz sentido.
Impulsividade do pathos não faz sentido.
A necessidade do controle 
O não lidar com o mistério 
E a incapacidade com a não representação
torna a imprevisibilidade sem sentido.
O assalto.
Assalto é súbito, espontâneo, invasivo.
Como a humanidade.
Pathos.
Falta de nomes.
Angústia.
Esse sentido faltoso.
Ou toda essa falta de sentido.

Bárbara Cristina

Capitalismo, ratos obsessivos.

Capitalismo, ratos obsessivos.

Eles estão acumulando coisas,
Retendo variedades, controlando horas de prazeres,
Estão destituídos dos próprios afetos,
E estão incapazes de bancarem seus desejos,
Pedindo e obedecendo discursos neuróticos,
Nasça!Discipline!Forme!Reproduza,
E se contente com migalhas de segundos no ócio,
Cronometre tudo,
Em troca, terão os excessos
O lucro como promessa de completado
Esse lucro fálico
E casa ainda haja alguma falta,
Será pela ausência de metas, ou talvez porque tenham se tornado ratos obsessivos.

Barbara Cristina

Jogo de acordos

O que é melhor: Estar com o outro e se perder um pouco ou nem estar com o outro?

Segredos só se contam quando se contam?Ou só um conta?

No assalto da bolsa, quem foi mais esperto, o que aceitou ficar com a vida ou o que lutou pra ter as duas?

Tem prazer em sofrimento, ou tem sofrimento no prazer?

A criança reparte o lego e perde o navio ou carrega o lego e ganha a solidão?

Quem tem liberdade, o que pediu limites ou que pediu alienação?

Mata-se o enlutado ou morre de luto?

...

Bárbara Cristina

Linguagem asfixiante.

Linguagem asfixiante.

Buscou nas palavras
Começou pelas letras rústicas
Voltou no abecedário
Tentou com as vogais
Fez alguns sons
Procurou nos desenhos
Desenhou 7 vezes
Rabiscou logo em seguida
Pegou tintas de todas as cores
Combinou todas as cores possíveis
Procurou nos outros idiomas
E depois de todas essas tentativas
descobriu que o que sentia não podia ser linguajado.
E mesmo no não dito, no incontemplável
Conseguiu parar de se angustiar com a linguagem.
Se entrelaçou nos movimentos do corpo
dos orgãos, da respiração, das bolhas marcadas
E começou a ter vários momentos de paz.

Bárbara Cristina

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Platão.

Platão pediu para que João vivesse dos futuros.
Mas futuros tava longe e João era impaciente.
Platão prometeu terras prometidas.
Mas desejos não esperam terras prometidas.
Platão contou de um lugar ideal.
Mas o idealismo de João tinha pressa.
Platão continuou falando.
E João permaneceu vivendo.

Bárbara Cristina

Platão.

Como viver você sem falar de você?
Platonismo realizado.
Necessidade de grito ou vontade de suspiros?
Repita comigo.

Bárbara Cristina
Repetição des(amorosa).

Somos tão repetitivos. Chatos repetitivos. Insistentes repetitivos.Repetimos e ás vezes não sabemos.Repetimos e ás vezes sabemos. Sabemos e continuamos repetindo, mesmo achando, com toda a certeza que dessa vez não, inocências repetitivas. Tem gente que repete para ser desamado. Desamor é a repetição mais cruel dessa singularidade. Sim, conseguir a qualquer preço uma prova de desamor. De desapaixonamento.E aí quando repetido, um alívio, afinal, essa história dolorosa já é de capítulos anteriores, mesmo numa roupagem nova. Insistir para o outro que esse outro não te ama. Insistencia covarde. Uma tentativa, duas tentativas, (n) tentativas.Enquanto há tentativa há porque permanecer.Enquanto não se tira do outro as palavras de não apaixonamento, não há paz. Autosabotagens, boicote. Verbo confessar. Sem confessionário. Há porque se partir. Afinal, o fracasso era o amor.E o desamor, já é bem conhecido. E agora, explicitado.Confessado. Há porque se partir com o desamor confessado.

Bárbara Cristina