domingo, 8 de janeiro de 2012

Idolatrando a duvida


Tenho idolatrado a dúvida. E como, o que me inspira é a certeza do amor, tenho me questionado.

As pesquisas científicas tem mostrado que 90% do casais ja trairam, então por que insistir na monogamia?

O que é traição? Trair o outro, ou trair o seu próprio desejo?

Se a solidão é tão criticada, repugnada, por que a maioria das pessoas tão solteiras ou se separando?

Porque a fantasia de estar com alguem ainda tem sido tão mais gostosa do que a realidade de estar com o mesmo alguém?

Por que obedecer ao desejo tem sido confundido com rotatividade e competitividade sexual?

Por que os filmes hollywoodianos insistem em convencer que amor verdadeiro é so aquele eterno?

Por que a Igreja insiste naquele papo de Uma só carne, se quando se termina ninguem precisa morrer?

Não sei se quero respostas.

Bárbara Cristina

domingo, 11 de dezembro de 2011

Edíficio Emocional


Sem pressa. Esse Edifício emocional está sendo bem construído, depois de tantas demolições. Houve alguns planejamentos de estrutura, algumas linhas, pontilhados e todas essas coisas, que se é bom ter para construir algo. Demorou, foi-se tentado construir a força e ele num durava nem um mês, nem dois meses, logo já caia, se derrubava, se rompia, em terra, vela e algumas poesias. Algumas vezes, tinha até potencial, dava a impressão que ia ser um Edifício sólido, rígido até, mas faltava andar, faltava lugar, faltava portas pra se entrar e sair quando queria. Faltava janelas pra olhar lá fora, e lembrar que tem lá fora. Faltava, apenas faltava. Depois, faltou luzes, brilho, a casa não tinha luz, não tinha, apenas nao tinha. E na re-construção mais forçada, faltou móveis, sim, esses sentimentos que são móveis, se movem e locomovem com uma intensidade de num sei o quê, e eles, esses sim, faltavam. E sem "móveis," não dá. Móveis que não se compram, que não se pagam, que não se pede. E depois disso, de tantas faltas, demoliu-se. Foi uma tombada só, com uma duração mais que lenta, mais que dolorida, cheia de prazeres. E agora, não falta? Falta, falta muito, mas sabe aqueles planejamentos, linhas e pontilhados? Tomaram autonomia, se auto-fizeram com o tempo e deixaram bem claro: o seu tempo não é o meu. E a falta, que que virou dela? Ta aí, presente, movendo desejos.Construindo Edifícios e se auto-resolvendo.

Bárbara Cristina

O amor é uma loucura cheia de razões Carpinjear.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

101 cartas



Precisaram de 101 cartas.Sim, 101 cartas guardadas, remoidas, quase rasgadas.Amassadas, doloridas, algumas até arrebentadas.101 cartas de desespero, conformação, raiva,angustia, ódio e muito, muito amor interrompido.Muitas palavras querendo explicação, muitas frases te pedindo perdão.Não adiantou.Nada adiantou, as 101 cartas nao foram nem sequer enviadas e o seu perdão talvez esteja bem longe, bem longe.E só agora, só por hoje, eu escrevi a carta mais importante.A carta que te agradecia.Meus sinceros obrigada, por ter saído da minha vida.Depois de perder você, eu perdi toda aquela parte minha que não servia mais, perdi dolorosamente, parte por parte, desabamento por desabamento.Perdi muitas mascaras, muitos recalques e muitos medos.Nao ter você do meu lado, fez com que eu enfrentasse meus medos tete a tete, porque antes, nao se tratava de enfrentamento, eu ia e sabia que se o mundo caisse em cima de mim, tinha você pra me ajudar a segurar.Obrigada por me fazer gritar de dor, sim, de dor interna...Eu aprendi que gritar faz parte e não precisa ter pudor, eu gritei por você.Obrigada por nunca mais telefonar, nunca mais mandar mensagem e nunca mais entrar em contato.Sem você, eu dei mais valor ao contato físico, e parei de esperar uma sequer ligação, e comecei a ligar quando eu queria.Obrigada por não aparecer nos momentos em que eu mais precisei, obrigada por interromper um amor que nem romantico era mais.Eu passei a amar a realidade e ela nao tem me permitido nenhum amor romantico que sinceramente, nem sei se acredito mais.Obrigada por sumir, e se um dia quiser aparecer, lembre-se, não existe mais Eu e nao existe mais você, existe pessoas completamente estranhas que talvez nunca mais se reconheçam.

Bárbara Cristina

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Romance e textura



A vida e sua mania de descabelar verdades tão bem arrumadas.Ingênuas verdades.Tudo que se pedia era uma dose forte de história e de sofrimentos.Sim, a gente acha que amor de verdade é aquele que tem sofrimento, dores, magoas, e lagrimas, muitas lagrimas.Nem sempre.Ultimamente as doses vem vindo mais leves e nem por isso deixam de ser romance.São romances mais serenos,mais maduros, não mais intensos, a intensidade tem costume de machucar.O tal do conto de fadas sem ser aqueles da Disney ainda existem sim.É só saber interpretá-los.Alguns ciumes menos possessivos mas tão verdadeiros como os antigos.Os antigos se tratava mais de amor próprio do que amor pelo outro, já agora, é outro, outro ciúme.Incrível como os sentimentos, mesmo tendo o mesmo nome consegue vir de variadas formas.Sem planejamentos, sem necessidade de promessas e de felizes para sempre.Tudo flui de uma forma suave e nem por isso deixa de ter magia.Os romances mudaram de textura, de cor e formato. E tem vindo muito bem,obrigada.

Bárbara Cristina

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Contornos meus e da vida



As representações.Sim, tudo se trata disso.Você imagina, desenha, põe traços e colore exatamente com linhas e cores que você escolheu.Pronto, a pessoa por quem você se encanta, se apaixona, ama é uma pura representação.Você cria exatamente da forma como quer.Com os seus contornos e suas interpretações.Um não vira um sim tímido, um olhar se transforma em intimidade, um abraço é interpretado muito além de um abraço e um beijo te desperta vontades e desejos incansáveis. Tudo se trata de como você quer que seja.Porém, o como você quer que seja, não é realmente como de fato é.Ás vezes o não é realmente aquele não seco e puro, o olhar é ensaiado ou simplesmente distraído, o abraço um carinho condicionado e o beijo, fraco, bem fraco.As expectativas tem dois poderes intensos: de criar tudo e logo em seguida, de destruição.Sim, elas são auto-destrutivas, elas acabam, morrem, sem poder ser realmente vividas.As expectativas criam imaginação, idealização e romanceiam até comédias nada românticas. Quando não se espera muito, tudo que há de bom vem com força.E quando não se espera, simplesmente não vem.Sim, não esperar é não saber reconhecer quando chega.Então espere, mas espere sem pressa e quando vir, faça com que aconteça.E as representações?Elas são inevitáveis, mas conforme com os rabiscos e contornos não feitos por você e sim pela vida.

Bárbara Cristina

domingo, 21 de agosto de 2011

Deus, terapeuta e eu mesma



Hoje eu precisei falar com Deus, com um terapeuta ou comigo mesma.Com Deus, porque eu preciso de uma fé em algo que eu não tenha controle e saber e sentir que ele tambem está por mim, me deixa mais calma.Mais serena.Tambem precisei de uma terapia, uma escuta sabe, uma pergunta do tipo: "o que voce sentiu com isso"?Não que uma terapia se reduza a isso, mas eu preciso descobrir o que eu ando sentindo por aí.Sentimentos tem me invadido por inteira.E principalmente, precisei falar comigo mesma.Concordar ou discordar dos meus pensamentos, debater com meu eu e descobrir que as crises ainda existem, por mais ou menos devastadoras que sejam.Precisei me ouvir um pouco, ouvir o corpo e essa mão gelada e essas batimentos apressados que estão querendo dizer alguma coisa.Ouvir esses silêncios que minha boca faz e esses gritos que meus gestos interpretam.Precisei ouvir um pouco da minha alma e do estrago que ela tem se recuperado constantemente.Na verdade, eu não sei mais se houve realmente estrago.O que houve talvez foram suspiros, delírios e choros.Precisei me concentrar, Eu e eu mesma, apenas.Nenhum suspiro que interrompe-se, a não ser, que fosse o meu próprio.Os meus suspiros têm me preocupado...Eu não sei se são suspiros de alivio, vontade ou cansaço.Ou talvez, tudo junto.Esse tudo junto sem separação tem me tirado o fôlego.Enfim.Precisei de mim, mais um pouco.

Bárbara Cristina

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O vento de novo



O vento entrou pela porta da frente.Não foi uma ventania forte, mas uma sensação de paz interior e de lavação de alma.Já fazia algum tempo que as coisas estavam bem confusas, as crises reprimidas e a loucura desenfreada.Agora não.Tudo flui de uma forma menos abrupta, a crises foram expostas mas ainda não resolvidas, a loucura pediu sossego e a confusão pediu um tempo.O tempo.O tempo vem me obrigando a ser passiva em tantas situações e deixar com que tudo se resolva de uma maneira que eu não possa controlar.O não-controle tem insistido em me contestar.Ele tem vindo, dizendo, cutucando, explicitando e "redudantemente", deixando bem claro, quem quem manda aqui, não sou eu.Sim, não sou totalmente eu.Não venho desistindo, mas depois que o ventou voltou, eu voltei a confiar no acaso e nas contradições da vida.Eu voltei a ter fé em qualquer tipo de amor.Incrivelmente, até nesse amor-romântico, que com o ocorrer da vida, ela mesma me deixou tão incrédula. As expectativas acalmaram-se e a paciência acordou gritando.Sim, a paciência também grita, e ultimamente ela vem dizendo que tem coisa boa por aí, dentro de mim, e fora, vindo pra me perseguir...

Bárbara Cristina